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o politécnico































































PORTALEGRE e o Norte Alentejano

Aqui, o Norte abraça o Sul e o homem funde-se com a natureza num entendimento secular. A paisagem é arrumada, limpa, seja rural ou urbana, como limpos são os seus ares e cristalinas as águas. No topo dos montes espreita o casario abraçado de muralhas: parece temer, ainda, algum assalto. Só a matriz se sobreleva, protectora, projectando o branco açucarado da cal no azul absoluto do céu. Vive aqui um povo dócil, sinceramente hospitaleiro, que surpreende pelas suas artes e que ultrapassou as vicissitudes da história com uma dignidade ímpar.

Portalegre é a cabeça da região. Ao longe é só branca, espreguiçada sobre o fundo dum verde generoso. Mais de perto, aparece o amarelo do ocre, a cor trigueira do granito, o vermelho-tijolo dos telhados, os salpicos de verde dos muitos quintais e jardins. Em Maio, é intenso o perfume da flor da laranjeira. E de tudo isto é feita a alma da secular Portus Alacer.

Cidade histórica e monumental, mas também operária, das indústrias que aqui se estabeleceram desde tempos recuados. Cidade de estudantes, que sempre o foi - no Liceu, trajava-se à coimbrã até aos anos Setenta - e mais agora, como centro de Ensino Superior Politécnico. Cidade de poetas - de Régio - e de pintores, de tantos, que constantemente a recriaram. Cidade de cafés e de tertúlias, de tabernas, de bons vinhos e de petiscos, de inefáveis doces conventuais. Cidade das tapeçarias que dignificam, com a sua presença, as mais exigentes salas da Europa. E por tudo isto se apresenta, aos olhos do visitante, como para Torga: "presunçosamente escarolada do parapeito da paisagem larga, a ver passar o tempo, convencida de que tem salvo-conduto para a eternidade".

Professor Doutor Domingos Bucho



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